sábado, 16 de maio de 2009

Ordinary Day

-Just a day, just an, ordinary day-

Ela havia se mudado a pouco tempo para uma cidadezinha pacata do interior. Não poderia dizer que estava, em absoluto, feliz com a decisão dos pais
de "encontrar um lugar menos violento". Porém nada poderia fazer.

Próximo a sua casa, havia uma colina. Foi lá que ela o viu pela primeira vez.

As roupas negras, do sapato ao sobre-tudo (embora estivesse um clima ameno) davam-lhe um ar estranho.
Meio mistico, meio misterioso.

Ele estava lá, sozinho. Observando as nuances do céu e as nuvens, aparentemente alheio a tudo.

E ela estava lá, observando-o.


-Just tryin' to get by-


Aquilo havia tornado-se seu jogo particular.

Todos os dias ele estava lá, e ela de longe, olhava-o.

-"Quanto tempo mais, vai ficar observando?" Ela escutou, com um sobressalto, a voz rouca do garoto.

Saindo detrás das arvores, ela apenas pode sorrir sem-graça. - "Desculpe."

Pela primeira vez ela pode ver-lhe as feições.

Belos traços, finos, levemente arrogantes, embora no rosto carregava uma mascara apática e sem qualquer traço de emoção.

- "Não tem problema". Pensou ter ouvido-o dizer, porém nunca saberia ao certo, hipnotizada pelo contraste vivido do vermelho de seus lábios com a palidez da pele.

Não soube como, quando voltou a sí, estava lá, sentada ao lado dele. Observando o nada que ele parecia tão entretido.

- "O céu azul é bonito, né?" Disse, tentando ser simpatica com o rapaz ao seu lado.

Ele pareceu inicialmente não ter ouvido-a, seus olhos sempre focalizados no céu. Ela realmente pensou que não teria resposta quando ouviu um susurro:

-"Prefiro o branco das nuvens..."

E ele estava lá.

E ela estava lá.

E ambos observavam. O céu, e as nuvens.


-Just a boy, just an, ordinary boy but-


Ela subiu a pequena colina novamente, embora considerasse inutil o ato.

Hoje o céu não estava claro, viria uma tempestade.

O garoto nunca estaria lá.

Então foi, com surpresa, que encontrou-o lá, na mesma posição de todos os dias. Com os cabelos desalinhados pelo vento e os mesmos trages negros.

Aproximou-se, mas mantendo-se em pé e sem olha-lo observou também o céu.

-"Hoje vai haver uma tempestade, você não deveria ficar aqui".

Ele apenas virou o rosto, encarando-a. Uma sombra de sorriso sendo desenhada nos labios finos.

-"Eu gosto do cinza" Disse apenas, olhando novamente para o céu.

Ela não entendeu o por que mas, mesmo com a tempestade próxima, ficou ao lado dele.

E havia ele. E havia ela.

E ambos observavam a tempestade.


-He was looking to the sky -


Seus pais estavam brigando. Ela não aguentava mais ouvir seus gritos.

Correu, os pequenos pés fazendo um caminho veloz ao seu abrigo. Sua colina.

Surpresa, estancou antes de chegar ao seu destino.

Novamente ele estava lá. Como em todos os dias.

A noite estendia-se, mostrando as belas constelações em seus pontos luminosos.

Aproximou-se novamente. De certa forma, a presença dele a trazia paz.

-"A noite é romantica não é?" Sua voz, aguda e ainda levemente trêmula, soou tão baixa e sussurrada que imaginou que ele nunca a ouviria.

-"Qual a cor do céu?" Perguntou-a, ignorando completamente a pergunta anterior, ela pensou.

-"Azul oras... azul escuro". Disse simplesmente, levemente aborrecida.

-"Errado..." Ele voltou-se rapidamente a ela, nos olhos um brilho diferente, que ela nunca havia visto antes nas orbes escuras. -"...é negro. O céu a noite, é negro."

Ela apenas parou, observando com interesse, deixando-se pensar sobre o que ele disse.

Nunca imaginara que aquela resposta, soara mais como uma retórica do que como uma conversa.

-"Estrelas são interessantes." Disse ele, pela primeira vez iniciando um dialogo.

-"Quando observamo-as de longe, parecem tão próximas e brilhantes".

Ouviu-o suspirar enquanto pausava um pouco as palavras. A melancolia era clara na voz rouca.

-"Porém, na verdade, elas estão distantes umas das outras, separadas por milhares de quilometros. Brilhando sempre..."

Ele então levantara-se e dirigiu a ela um olhar diferente. Não o olhar frio de sempre, opaco. Um olhar ao mesmo tempo, caloroso e dolorido, como se tudo aquilo
o machucasse também.

-"Brilhando sempre..." Ele repetiu, olhando-a ainda mais profundamente. -" Sempre sozinhas...".

E ele, sem olhar para ela novamente, caminhou para longe.

Seus ouvidos apenas captavam o farfalhar leve de suas roupas, um pouco maiores do que deveriam ser.

E seus olhos, observavam, a figura escura, sumindo em meio a noite. Sem conseguir mover-se.

Quando foi que suas vistas começaram a ficar embaçadas? Não pode evitar perguntar a sí mesma.

Com a surpresa de uma criança, que não conhece os saberes fundamenais, ela tocou, com os dedos frageis, o rosto branco e quente.

Sentindo-as molharem,

Lágrimas. Frias.

Então voltou seus olhos embaçados para o céu novamente. Contemplando-o, observando a escuridão plena deste, salpicada por diversas esferas luminosas. Solitárias.

E em meio a lágrimas. Sorriu.

Ela entendia afinal.

E havia ela. E havia a noite. E havia o brilho claro, branco.

Porém ele...

Se fora.

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Vontade de escrever x)

enfim amor, espero que esteja melhor viu ^^
vc non precisa adiantar seu tempo pra resolver as coisas, apenas tem que esperar e estar segura delas =]

Hate u dear (L)